Atuação Física (Analógica, Humana) + Digital Funciona?
Sim e não! E já podia acabar o artigo. Fim.
Simples, não fácil. Então vamos discorrer. Vale ressaltar que absolutamente tudo o que me proponho a escrever é sempre sobre experiência vivida, medição de resultados e estudos direcionados. Nada daquela parada de “falo o que acho” pra validar a narrativa ou peço pra IA escrever. Ela revisa erros de português, muitas vezes sugere complemento de narrativa, mas gosto de achar que a experiência analógica humana é a única coisa real que é nossa e, sim, aliada de maneira consciente à IA, isso sim tem alguma capacidade de escala.
Nestes últimos 5 anos, testando a teoria de que só é possível crescer dentro de networking, com as pessoas certas, no grupo certo, fui a campo. Esse artigo não é sobre mim, é sobre Marketing Imobiliário, estendido ao corretor de imóveis e às imobiliárias, porque é sobre vender imóveis e vender pra quem vende esses imóveis.
A parte digital nos deu muito.
Individualismo, aceitação, diminuição de ruído, falta de convívio com gente chata e pequena. Também nos deu a possibilidade de testar em segredo, falhar, aprender, refazer, acertar e ficar orgulhoso. Esse espaço de “liberdade” é fundamental pra quem vem do mercado tradicional. É preciso entrar no “novo jogo” ou morrer. É assustador e indispensável. Se pensar que todo jovem corretor — e não são poucos os que investiram agora um ano até o CRECI — não encontra o mesmo ambiente que você, corretor de carreira, encontrou: outra São Paulo, outro país, outro mundo econômico.
Então não adianta não fazer a lição de casa. Se isentar é ser arrancado do mercado. O empresário, em algum momento, precisou entender de contabilidade para não ser roubado e falir. A analogia AQUI É A MESMA. Aliás, adoro analogias, vivo com elas.
Principalmente porque, como é outro momento, essa é a única via que o novo corretor tem para aprender e entrar no mercado. E tem gente boa, muito boa, com sede de vencer, jogando muito bem esse jogo.
Participei de algumas associações de empresas, indústria, comércio e grupos profissionais de network. Assim como todo mundo que faz o roteiro do que precisa ser feito pra ser um verdadeiro empreendedor, eu passei. Isso funcionou para mim? Sim e não.
Quem dá as cartas mantém-se dando as cartas. Já reparou que, dentro de qualquer círculo social, quem manda, aparece e faz negócios é quem já está em destaque? É mais do mesmo: você precisa se moldar, encaixar, mostrar valor, entrar num sistema, “merecer”, ficar “visível”, fazer concessões e aí, só aí, talvez você comece a morder um pouco da fatia que a troca profissional realmente proporciona. Mas também é só um talvez.
Para o corretor e a imobiliária tradicionais, fica muito difícil descer do salto da tradição e, principalmente, do know-how construído e das conquistas amealhadas na carreira, e estarem abertos a novos aprendizados. E, para o iniciante, mostrar resultados efetivos e destacáveis com seu conhecimento de ferramenta, e não de trincheiras, experiência acumulada e do jogo maior e mais técnico do investidor e do proprietário.
Quem conhece gente, tem contato e confiança tem ouro nas mãos. Quem tem o digital tem poder de escala e liberdade.
Voltando ao tema digital mais analógico e, com base nos meus argumentos de vivência, acho que, para sobreviver e prosperar, é preciso desenvolver autonomia. Saber aprender, testar, errar, corrigir, construir presença e se sustentar sem depender da validação de um grupo. Mas, para escalar, também é preciso do conhecimento, das relações e da troca que só o grupo proporciona. Parece contraintuitivo, mas não é. Explicarei melhor.
Chegar num grupo novo para ser reinserido, oxigenar o negócio e se atualizar pode ser desafiador, mas, se trouxer a experiência e estiver disposto a trocar, não ensinar, tenho certeza de que, dentro de absolutamente qualquer grupo, encontrará os seus e conseguirá fazer negócios. A gente foca demais na expectativa de vender e esquece que, igual à jornada de vendas de imóveis, que é de cauda longa, é preciso cumprir etapas, e uma delas é procurar ou criar sua própria comunidade. Sem isso, a escala do novo não vai auxiliar a jornada de vendas do velho.
O fato de estarmos tão absorvidos pelos novos processos digitais e a individualidade que isso permite podem ser perigosos. Primeiro, por conta da alienação. Em um mundo que te entrega apenas o que você quer ver, te põe numa bolha. Segundo, reputação digital não é a mesma que pessoal e vice-versa. Uma complementa a outra e fomenta a diversidade dos negócios. Às vezes não dá pra controlar a narrativa do digital. É preciso ter conhecimento digital para não ser confundido ou não qualificado. Sem Instagram, Facebook, site e um conteúdo voltado para SEO, não existe controle de narrativa próprio. Concorda que um profissional de carreira tem uma vida online gigante, diversas fases, negócios e jornadas que podem competir negativamente contra sua excelência se só isso existir online? E que alguém que começou agora não tem história, mas tem muito histórico.
O digital amplia alcance, organiza presença, cria eficiência, produz informação, permite testar e dá escala. Mas ele não entrega uma chave, não olha no olho do proprietário, não conduz sozinho uma negociação delicada e não sustenta uma reputação quando chega a hora da verdade. É no analógico que tudo aquilo que você construiu no digital precisa se provar.
Só realmente na ponta final é que se vê um bom profissional da área de imóveis: no cara a cara, na entrega das chaves, na lisura dos processos, no auxílio prático ao cliente. E isso só é possível no analógico. O digital traz excelência e eficiência na experiência. O humano dá verdade a ela.
Um não anda sem o outro.

Daniel Auvray Rossi | Marketing Imobiliário aplicado ao Real EstateImobiliário Digital MKT | Auvray Real Estate



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